Um dos grandes mestres da educação, o psicólogo da Bielorrússia Vygotsky, desenvolveu um estudo sobre o processo de aprendizagem que é até hoje um dos mais aceitos no meio acadêmico. Segundo ele, o processo de aprendizagem acontece em níveis, que deram origem à organização atual da PNL — Programação Neurolinguística.

Neste artigo, vamos compreender melhor os estudos de Vygotsky e os seus desdobramentos nos estágios de aprendizagem da PNL. Para saber mais sobre o assunto, é só dar continuidade à leitura a seguir!

Os níveis de aprendizagem de Vygotsky

Segundo o psicólogo, há 3 níveis do desenvolvimento cognitivo:

  1. Nível de desenvolvimento real: “Caracteriza o desenvolvimento de forma retrospectiva, ou seja, refere-se a etapas já alcançadas, já conquistadas pela criança”;
  2. Nível de desenvolvimento potencial: “Diz respeito à sua habilidade e capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de companheiros mais capazes”;
  3. Zona de desenvolvimento proximal: “Refere-se, assim, ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas, estabelecidas no nível de desenvolvimento real”.

Talvez, muitos nunca tenham imaginado que o processo de aprendizagem de cada indivíduo se dê em estágios, ou seja, está dividido em fases. A Programação Neurolinguística — PNL separou essas fases em 4 estágios facilmente identificáveis. É importante para o coach ter conhecimento desses estágios, a fim de que possa exercer de maneira eficaz o seu papel de facilitador entre o coachee e o conhecimento.

Esses quatro estágios são nomeados da seguinte forma: Incompetência Inconsciente, Incompetência Consciente, Competência Consciente e Competência Inconsciente. Usaremos o exemplo de uma criança que começa a andar para elucidar esses 4 estágios, embora possamos analisá-lo também sob a perspectiva do aprendizado de pessoas adultas.

Estágios de competência no processo de aprendizagem

1. Incompetência Inconsciente (II)

Nesse estágio, o indivíduo ainda não sabe que não sabe, vive uma “alegria ignorante” por não saber. A criança recém-nascida, ou com poucos meses de idade, ainda não sabe que precisa andar e que disso dependerá grande parte da sua vida. Ela é feliz e satisfeita com o seu estado por ainda não saber que necessitará andar em um futuro próximo. Conforme passa o tempo, ela começa a se dar conta de que todos ao seu redor andam, e é nesse momento que ela passa para o próximo estágio.

2. Incompetência Consciente (IC)

Nesse estágio, o indivíduo toma conhecimento de que não sabe, o que cria nele a curiosidade por aprender, por saber como realizar determinada atividade. Com alguns meses, ou ao atingir o primeiro ano de vida, a criança toma conhecimento de que todos ao seu redor andam e se locomovem, independentemente dos demais.

PSC

Isso faz com que a criança comece a procurar imitar as pessoas que a cercam. Nesse momento, ela busca recursos necessários para realizar a atividade, passando a forçar o seu corpo a se colocar de pé e a se equilibrar, atingindo, assim, o terceiro estágio.

3. Competência Consciente (CC)

Nesse estágio, o indivíduo sabe que sabe, conscientemente. Toda a sua parte consciente se volta para a execução da atividade. A criança com alguns anos sabe que sabe andar e, para que isso ocorra, volta toda a sua atenção para a execução dessa “árdua” tarefa.

Ela precisa colocar uma perna à frente da outra, precisa equilibrar o seu peso todo em uma perna, enquanto a outra se movimenta. Ao mesmo tempo, precisa olhar para o caminho que está trilhando, além de ver se há algum obstáculo futuro nesse caminho, como uma cadeira, por exemplo. A cada passo, precisa equilibrar o peso traseiro e o frontal, e o menor deslize pode levá-la à queda. Desviar a atenção para qualquer outra coisa pode determinar o insucesso da atividade. Com a experiência em andar, obtida com a prática, ela passa para o quarto estágio.

4. Competência Inconsciente (CI)

Nesse estágio, o indivíduo nem sabe mais que sabe, a atividade tornou-se inconsciente. A criança, que até o estágio anterior ainda precisava direcionar toda a sua atenção para cada movimento, tendo que usar vários recursos simultaneamente, passa a movimentar-se, a andar inconscientemente.

A ação tornou-se algo natural, que ela faz sem perceber. Não há mais a necessidade de ter toda a atenção voltada para o ato de andar, é algo automático. Esse estágio é o que provoca maior prazer, pois as coisas acontecem de maneira tranquila e normal, e a criança tem a impressão que já nasceu sabendo.

Aprenda para crescer

Provavelmente, muitos, antes de lerem sobre os estágios da aprendizagem, não sabiam que esses estágios existiam. Estavam no estágio de Incompetência Inconsciente. Ao começarem a ler sobre eles, passaram ao estágio de Incompetência Consciente, tomaram conhecimento da existência do assunto, mas ainda não sabiam como funcionava.

Ao entender como cada estágio acontece, passaram ao estágio de Competência Consciente e puderam exercitar esse conhecimento, o que, com a prática, lhes proporcionará evoluir para o próximo estágio, o de Competência Inconsciente, em que não é mais necessário ter a atenção voltada para esse conhecimento para praticá-lo.

Um exemplo clássico, já trazendo a teoria para a vida adulta, é o ato de dirigir:

  • Incompetência inconsciente: o indivíduo não sabe que um dia precisará dirigir;
  • Incompetência consciente: o indivíduo descobre que há outras pessoas que dirigem e que, na idade adulta, deverá aprender essa habilidade para ser mais autônomo;
  • Competência consciente: ao começar a dirigir, o indivíduo presta atenção em cada movimento que executa, dedicando toda a sua atenção a ele;
  • Competência inconsciente: por mais que ainda precise de muita atenção, o motorista mais experiente não fica 100% consciente de cada movimento que faz, como dar seta, virar o volante ou mudar a marcha.

Como você pode notar, o aprendizado de qualquer atividade é um processo, composto por diferentes etapas, conforme citam Vygotsky e os seus desdobramentos na Programação Neurolinguística — PNL.

Gostou deste conteúdo? Então, contribua deixando o seu comentário no espaço a seguir. Além do mais, que tal levar estas informações a todos os seus amigos, colegas de trabalho, familiares e a quem mais possa se beneficiar delas? Compartilhe este artigo nas suas redes sociais!