Nos últimos anos a palavra interdisciplinaridade vem aparecendo cada vez mais no cenário educacional e também empresarial. Diferente do que muitos acreditam o conceito de interdisciplinaridade não é novo, esse termo tornou-se objeto de pesquisa nos anos 60, por ter se transformado em uma importante alternativa no momento de crise e reorganização ocasionado através da modernidade.

Foi a partir da confluência entre o meio empresarial e acadêmico que o termo interdisciplinaridade ganhou maiores proporções, demonstrando que a ideia interdisciplinar está conectada não só ao mundo acadêmico e científico, mas também está diretamente ligado ao mundo do trabalho. Os anos 70 foram marcados pela crise no sistema capitalista, ocasionando inúmeras mudanças na sociedade.

As empresas que seguiam o modelo fordista/ taylorista foram forçadas a se reestruturarem, adaptando-se para o novo modelo de produção e acumulação toyotista. Em oposição aos antigos modelos com estruturas rígidas, o toyotismo introduziu uma flexibilização dos aparatos de produção e de força de trabalho. No modelo fordista/taylorista os trabalhadores concentravam-se em tarefas específicas, isoladas e rotineiras, sendo o trabalho dissociado entre a concepção, desenvolvido pelos gerentes e a execução, sendo feita pelos trabalhadores chão de fábrica.

O modelo taylorista fez com que os trabalhadores começassem a participar de diferentes níveis da empresa, desde a concepção até a execução, exigindo uma polivalência e multifuncionalidade. O modelo taylorista trouxe à tona um maior aproveitamento dos saberes do trabalhador, fazendo da interdisciplinaridade um meio de desenvolvimento das empresas nesse novo cenário.

Segundo Mangini e Mioto (2009) a interdisciplinaridade propiciou uma abertura a ações coletivas, a integração, interação, coordenação, colaboração e à cooperação. A interdisciplinaridade constrói um cenário que demonstra ao trabalhador que sem o comprometimento e a cooperação é impossível manter uma empresa funcionando e gerando frutos benéficos a todos e consiga de adaptar as constantes mudanças as formas de produção e ao mercado com maior flexibilidade, agilidade e eficiência.

Podemos dizer que a cocriação é uma das ações estabelecidas através da interdisciplinaridade. O conceito de cocriação está ligado a ideia de estabelecer um espaço para que todos os stakeholders de uma empresa sejam ouvidos, possam emitir sua opinião e contribuir com seus saberes. O intuito da cocriação é justamente o de compartilhar as ideias, mostrar os pontos de inspiração, o quanto a ideia é boa e pode ser desenvolvida, e a outra pessoa se dispõe a pensar junto com você meios e técnicas para que a ideia seja desenvolvida o caminho se transforma, se torna mais fácil. Já vivi a experiência de compartilhar uma ideia com alguém e a partir de poucas palavras que a outra pessoa pronunciou tudo a minha frente se clareou.

Após compartilhar meus pensamentos eu consegui visualizar melhor os caminhos que poderia percorrer para que algo se transformasse. Um grande exemplo para demonstrar o quanto ideias revolucionarias é produto de um conjunto de ideias de várias pessoas é se nos atentarmos em descobrir como surgiu a teoria da evolução e da seleção natural.

PSC Renascimento

Se alguém chegar a você e perguntar quem foi o responsável pelas ideias que sustentam a teoria da evolução e da seleção natural, quase que de imediato a resposta será Charles Darwin. Mas o que poucos sabem é que para que essas teorias fossem desenvolvidas várias pessoas estavam envolvidas nesse projeto.

Assim como Charles Darwin, o cientista Alfred Wallace também estava debruçado em ler os mesmos livros e viajar para lugares próximos aos de Darwin. Foi a partir da junção das ideias e do trabalho de todos evolvidos em desenvolver esse mesmo projeto que chegamos aos resultados que comprovam essas teorias. A cocriação nasce da junção de uma ideia com outra ou da ideia que, embora tenha sido descartada foi fundamental para que alguém tivesse o insight de uma próxima ideia – melhorada e, por conseguinte aprovada.

É assim que se “cria com”. A Cocriação é um conceito importante e bastante fortalecedor, pois todos nós sabemos que não podemos fazer nada em nossas vidas sozinhos. Sozinhos nós não vamos a lugar algum. A interação é necessária para que haja evolução contínua por meio da troca de conhecimentos, experiências e aprendizados.

Assim, Ideias, dicas, insights e sugestões têm um espaço para serem desenvolvidas em busca de um bem maior, que beneficiará não só uma pessoa, mas muitas. A interação é necessária para que haja evolução contínua por meio da troca de conhecimentos, experiências e aprendizados. Assim, Ideias, dicas, insights e sugestões têm um espaço para serem desenvolvidas em busca de um bem maior, que beneficiará não só uma pessoa, mas muitas.

O processo de aprendizado vai muito além de apenas uma leitura básica sobre determinado assunto. O emaranhado de conhecimento guardado por nosso cérebro é maior do que podemos conceber. Sabemos basicamente do que ele é capaz, mas as descobertas nesse campo não raramente surpreendem até mesmo as expectativas mais otimistas que mantínhamos sobre o seu funcionamento.

Por mais que as ciências tenham tentado nos libertar da sensação de que no fundo não fazemos muita ideia do que realmente se passa nas nossas cabeças, a verdade é que essa condição continua a nos acompanhar. E se ela é marcante no que tange aos detalhes do funcionamento do corpo humano, podemos acrescentar que uma boa dose de dúvidas nesse quesito é algo que se tem de sobra quando se trata do cérebro e seus mecanismos. Não por acaso, portanto, as mais interessantes lufadas de conhecimento e novas revelações quanto ao cérebro veem à tona justamente no contexto das formas de aprendizagem de que se vale nossa massa encefálica.

Para aplacar nossa curiosidade, muito tem sido revelado nesse aspecto, o que certamente nos abre um imenso leque de possibilidades de expansão das nossas potencialidades de aprendizado e assimilação de conteúdo. E basta lembrar que essa é um quase meio caminho para a superinteligência. Na teoria, a mecânica básica da aprendizagem é até bastante simples. Na prática, contudo, é que são elas.

Em tese, quando em contato com algo novo, isto é, um saber, conhecimento ou informação qualquer que o cérebro ainda não domina, ele processa o elemento que chega como novidade e de imediato o encaminha para a área encarregada do armazenamento. Na teoria, a mecânica básica da aprendizagem é até bastante simples. Na prática, contudo, é que são elas.

A memória bem que tenta de imediato fazer o seu trabalho. Mas é a aí que começam a surgir, digamos assim, alguns pontos de gargalo no funcionamento da sua mente. É que, para o seu bom funcionamento, o cérebro acabou desenvolvendo filtros que o impedem de ocupar espaço demais ao memorizar conteúdos desnecessários. Não é apenas no seu escritório que o acúmulo de acervo inadequado faz surgir a necessidade de limpezas constantes para otimizar os espaços de armazenamento.

Também dentro da sua cabeça há um eficiente plano de contenção de desperdícios e aproveitamento da capacidade instalada. A seletividade na memória é algo que efetivamente existe e não é apenas uma coisa que apontamos nos outros quando acabam omitindo dados ou eventos que não lhes foram tão favoráveis. Sua função é listar o que deve e o que não deve ser cortado, com o complemento de reter o que realmente importa. Nesse sentido, entram em campo dois elementos, a memória temporal e outra mais definitiva.

A primeira, como o nome não deixa margem para dúvidas, arquiva as informações para um uso imediato. É o que te permite reproduzir com riqueza de detalhes as falas do diálogo marcante que você acabou de ouvir naquele filme ou o que faz você reproduzir com convicção o número de telefone que consultou há cinco segundos. Já no que se refere à memória de longo prazo, o processo é mais complexo e não é sem esforço que algo adquire o status cerebral de poder ser arquivado de modo duradouro.

O xis da questão nesse quesito parece ser mesmo a capacidade de desenvolver a competência de influenciar decisivamente no que deve entrar para o seleto grupo de informações a serem mantidas. Afinal, todos nós temos um histórico de ter conseguido memorizar com tranquilidade o nome daquele personagem sem graça da novela, mesmo sem ter sequer chegado perto de guardar aquela fórmula que foi tão importante na prova em que você se deu mal. Poder dizer, com base na nossa vontade imediata, o que deve e o que não deve ser armazenado é um daqueles sonhos que todos mantemos e esperamos realizar.

A repetição é uma das maneiras pelas quais sabemos que a memorização duradoura opera. Quando se repete algo à exaustão, é certo que seu conteúdo fica lá facilmente acessível, e acaba entrando para o rol de coisas que são quase inesquecíveis.

Parece ser pouco provável que você memorize o CEP do seu cliente cinco minutos após ele tê-lo dito. Por outro lado, é de se assumir que você não tem dificuldades para se lembrar a qualquer tempo de uma sequência numérica ainda maior, desde que, claro, a sequência em questão seja o seu CPF.

Há outras formas de se aperfeiçoar a memorização de longo prazo e o uso de múltiplas experiências é algo que sabemos ser impactante para o cérebro. Pesquisas dão conta de que quando simplesmente lemos algo, o grau de armazenamento da informação gira em torno de mirrados 10% do que foi efetivamente transmitido. É difícil argumentar que não se trata de uma taxa de sucesso, para todos os efeitos, constrangedora, para dizer o mínimo.

Isso desloca o centro da questão para a multiplicidade de sentidos a serem experimentados a fim de se influenciar a memória e determinar de maneira mais acertada o que será ou não tratado com o selo de durabilidade que a memória concede.

 

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