As metáforas são figuras de linguagem em que recorremos a outros seres para explicar comportamentos humanos. Assim, é comum usarmos a metáfora de “tal pessoa é um leão” quando queremos dizer que alguém é forte e cheio de energia. Nesse caso, atribuímos as características de um ser não humano a um ser humano, em um mecanismo associativo.

Contudo, também há histórias que são inteiramente metafóricas, pois, de contextos aparentemente simples, são extraídas lições de alta complexidade. Neste artigo, vamos conhecer uma dessas histórias: a metáfora do mar. Continue a leitura e confira!

Preparação

O mar é uma excelente alegoria para aprofundar um transe que costuma ser superficial. É interessante para os participantes da hipnose que ela seja profunda, caso o coachee esteja em busca de resultados rápidos. Entretanto, é necessário cuidado em relação à figu­ra do oceano.

Essa imagem pode re­meter a um indi­víduo sensações agradáveis, de relaxamento e bem estar. Po­rém, pode acon­tecer de essa me­táfora representar a outros um senso de desconforto e perigo, advindo da grandiosidade e dos mistérios característicos desse ele­mento. Por isso, verifique se a pessoa tem medo de água — se, por exemplo, ela já vivenciou alguma tragédia envolvendo mergulho.

Pergun­te: se a pessoa gosta do mar e de mergu­lhar. Geralmente, a pessoa não gostar do que está relacionado ao mar é um caso isolado e não constitui uma regra, então, apresentamos a seguir uma poderosa metáfora que pode servir para muitas pessoas e, com certeza, atingirá o âmago do indivíduo, facilitando a hipnose.

Metáfora: o mar

Quando você vê uma linda praia, a observa de fora, vendo a beleza da cor das suas águas, da areia à sua volta, das plantas… Mas, geralmente, não fica pensando como é o relevo lá debaixo… imaginando os peixes… As algas… As pedras… O desconhecido… Você apenas sabe que existe esse mundo lá debaixo… Aprecia o que os seus olhos observam e o que você sente…

Pois é… O que os seus olhos veem… Você observa as mudanças de clima, temperatura e pressão… Dias muito quentes sempre tra­zem aumento de pressão, tempestades e chuvas fortes… É possível perceber como o mar se modifica… Fica bravo… Batendo ondas vio­lentas… Se torna sujo e feio, mas, com o tempo, ele vai acalmando… Então, vem o tempo da ressaca… Com o mar feio… Revolto em areia…

PSC Renascimento

O céu já está limpo… O sol já brilha novamente… Mas é hora de colocar o que é ruim para fora… O mar elimina pedaços de embarcações, latas velhas, cascas de coco… A praia fica feia… Mas o mar vai se limpando… E aos poucos se acalmando… A areia vai se assentando, e tudo começa a tomar o seu devido lugar novamente…

E mais uma vez, o mar fica claro, limpo, convidativo a um bom mergulho… E você pode mergulhar… Mergulhar devagarzinho… Ir conhecendo o outro lado… O que há lá embaixo… Meu Deus! Um mundo… Um mundo que vive, sente, trabalha e, no silêncio do seu interior, funciona, produzindo riquezas e belezas… Você pode ir mergulhando… Com segurança e proteção… Vasculhando… Des­cobrindo… Pequenos peixes coloridos… Algas… Estrelas do mar… Você pode até mesmo ir mais profundamente… E conhecer as coisas grandes que habitam lá no fundo…

Não tenha medo… É a sua praia… É o seu mar… Você pode observar as maravilhas que lá existem… Você pode parar… Boiar… Respirar livremente… Apenas observe…

Há vida! Há riquezas! E, bem lá no fundo, no subsolo… Há uma grande preciosidade… Há petróleo… Que dá a energia da vida… Observe… Veja vida dentro de você… E assim, aos poucos… Lentamente… Você pode ir voltando… E quando chegar à tona… À sua praia… Sente-se um pouco… Observe-a… Descanse… E pense sempre… Que há um mundo de coisas a serem descobertas dentro do seu próprio mundo… Aproveite!

*** Crédito: metáfora retirada do livro de Sofia Bauer.

Moral da história — o profundo é a mente inconsciente

O mar é uma metáfora para diversas interpretações da vida. Aparentemente calmo na superfície, ele pode esconder uma diversidade de vida lá no fundo. Assim também são as pessoas: na superfície, nós achamos que as conhecemos, mas, na verdade, ninguém (exceto elas mesmas) sabe o que se passa dentro de si. Por isso, devemos agir com empatia e evitar qualquer tipo de julgamento.

Outro aprendizado que podemos extrair da metáfora do mar é que tudo na vida é cíclico. A vida às vezes é calma e serena, como a praia com pouco vento. No entanto, sem aviso prévio, as correntes de ar se modificam e provocam grandes tempestades e ondas gigantes, para as quais devemos estar preparados.

Nesse ciclo de mudanças, porém, devemos entender que nem toda tempestade é ruim. Como vimos na metáfora, é durante esses momentos de mar revolto que o oceano se livra dos lixos que estavam dentro dele e recupera a o seu aspecto límpido. A vida também pode ser assim em alguns momentos: é nas turbulências que nos livramos daquilo que nos faz mal e que recuperamos o equilíbrio.

Portanto, podemos concluir que a atenção dedicada ao mar pode significar uma importante lição de resiliência. Devemos acompanhar as marés da vida, sem perder o entusiasmo e a calma. Além disso, devemos não julgar ninguém pelas aparências, pois a superfície de um indivíduo pode esconder um oceano denso e complexo sobre o qual pouco sabemos!

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E você, ser de luz, quais aprendizados extrai da observação do mar? Contribua deixando o seu comentário no espaço a seguir. Além do mais, que tal levar estas informações a todos os seus amigos, colegas de trabalho, familiares e a quem mais possa se beneficiar delas? Compartilhe este artigo nas suas redes sociais!