Temos poucas certezas na vida, mas uma delas é a de que todos nós vamos envelhecer. Esse é o destino de qualquer ser vivo: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Mas até mesmo essa que é uma das maiores certezas da humanidade tem sido posta em xeque pela ciência: afinal, será que é possível parar de envelhecer?

Estudos recentes têm apontado os telômeros, pequenas estruturas do nosso DNA, como a chave para essa questão — e a nossa alimentação pode impactar diretamente o desempenho dessas estruturas.

Neste artigo, vamos compreender melhor a importância dos telômeros, o seu papel no processo de envelhecimento e como os nossos hábitos alimentares podem aumentar a longevidade. Ficou curioso? Então, continue a leitura e saiba mais!

O que são telômeros e qual é a sua importância?

Os telômeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos, constituídas por sequências repetitivas de DNA e proteínas associadas. Eles protegem os cromossomos da degradação e impedem que eles se fundam uns aos outros. O propósito fundamental dos telômeros é manter a estabilidade e a integridade do material genético durante a divisão celular.

As suas principais funções são:

  • Proteção dos cromossomos: os telômeros evitam quebras de DNA e perda de material genético;
  • Limitação da divisão celular: essas estruturas limitam o número de divisões celulares e previnem a proliferação descontrolada de células.
  • Prevenção ao envelhecimento celular: os telômeros retardam o processo de envelhecimento celular. Células com telômeros mais curtos perdem a capacidade de se dividir, contribuindo para o envelhecimento dos tecidos e órgãos.
  • Auxílio no combate ao câncer: como os telômeros estão associados ao número de divisões celulares, o seu estudo pode auxiliar no encontro de meios de controlar a proliferação de células cancerígenas.

O que a restrição calórica tem a ver com os telômeros?

Como você pode notar, os telômeros desempenham um papel vital na saúde celular e no envelhecimento, além de estarem implicados em diversas doenças, incluindo o câncer. 

A má notícia é que, cada vez que uma célula se divide, os telômeros encurtam um pouco, o que se intensifica com o passar do tempo. Quando eles se tornam muito curtos, a célula entra em senescência, isto é, em envelhecimento celular. Esse processo também aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

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É por isso que essas estruturas têm sido cada vez mais estudadas pela ciência, na busca pelo aumento da longevidade. Prevenir o seu encurtamento, portanto, pode nos ajudar a viver cada vez mais. Alguns médicos e cientistas, por exemplo, têm associado a restrição calórica à proteção dos telômeros e, consequentemente, ao retardo do envelhecimento.

Estudos recentes apontam que os diferentes tipos de jejum, como o jejum intermitente e a restrição calórica, podem beneficiar a preservação dos telômeros e retardar o envelhecimento. Uma pesquisa publicada no periódico científico “Biogerontology” apontou que algumas dietas, como o jejum, tendem a amplificar a capacidade de proliferação celular e potencialmente reverter o seu processo de envelhecimento.

Esses estudos sugerem que o jejum prolongado aumenta o tamanho dos telômeros e, consequentemente, aumenta a longevidade. Não há consenso acerca do tamanho do jejum em questão, mas acredita-se que algo entre 24h e 48h possa gerar os benefícios citados.

Comer a cada 3 horas é um mito?

Se o jejum pode promover benefícios que favorecem a longevidade, será que comer de 3 em 3 horas é um mito? Segundo alguns médicos e cientistas, essa ideia tem sido popularizada justamente para que a indústria possa vender mais alimentos, mesmo que não haja comprovação científica de que esse hábito seja benéfico para a saúde.

Alguns médicos defendem que comer a cada 3 horas favorece a ocorrência de picos de insulina, o hormônio que metaboliza o açúcar. Esses picos frequentes podem diminuir a resposta das células do organismo à insulina, provocando resistência ao hormônio. Isso quer dizer que o pâncreas tem que intensificar a produção de insulina para reduzir a taxa de glicose no sangue, o que pode provocar um aumento do armazenamento de gordura, sobretudo na área abdominal (gordura visceral).

Quando há um acúmulo de gordura nessa região, pode ocorrer a síndrome metabólica, que desencadeia uma série de questões de saúde, como o diabetes tipo 2 e os problemas cardiovasculares em geral. É claro que isso pode ser agravado por um estilo de vida não saudável, que inclui o sedentarismo e o consumo de alimentos ultraprocessados.

Qual é a relação entre o jejum intermitente e a longevidade?

Diante do exposto, parece haver uma correlação entre o jejum e o aumento da longevidade. É o que aponta um estudo da publicação “Frontiers in Genetics”, que defende que o jejum intermitente tende a amenizar o estresse oxidativo e a inflamação — processos que encurtam os telômeros. Portanto, o jejum teria o poder de manter o tamanho dessas estruturas e retardar o envelhecimento.

A conhecida revista “Nature” segue a mesma linha, já que algumas pesquisas nela publicadas apontam que o jejum auxilia na ativação da enzima telomerase, que previne o encurtamento dos cromossomos e também auxilia na promoção da longevidade.

Além da questão do estresse oxidativo e da sensibilidade à insulina, também há evidências científicas de que o jejum pode aumentar a longevidade por meio de outros mecanismos: autofagia (reciclagem dos componentes danificados das células), controle do peso, regulação metabólica (redução do colesterol e da pressão arterial), manutenção da saúde dos neurônios, entre outros.

Conclusão

As evidências sugerem que estratégias alimentares, como o jejum intermitente, podem ser benéficas para a longevidade, desafiando a crença de que a frequência constante de refeições é necessária para a saúde.

Ainda que mais pesquisas sejam necessárias para entender completamente os mecanismos e os efeitos em longo prazo do jejum intermitente em humanos, as evidências atuais sugerem que ele pode ser uma estratégia eficaz para promover a longevidade e a saúde geral. 

Como sempre, entretanto, é fundamental consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer regime de jejum, especialmente para as pessoas com condições de saúde preexistentes.

Respondendo à pergunta-título deste artigo, talvez ainda não seja possível parar de envelhecer, mas, com certeza, os avanços científicos podem nos ajudar a retardar cada vez mais esse processo. Para isso, é importante investigar os impactos da nossa alimentação sobre a preservação dos telômeros.

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