A mente humana é algo complexo. Ela é composta por uma série de pensamentos, sentimentos, emoções, crenças, valores e memórias. Esse conjunto de fatores compõe quem nós somos, as escolhas que fazemos e as atitudes que desenvolvemos dia após dia.

No entanto, com o passar do tempo, talvez você já tenha percebido que nem sempre esses pensamentos e sentimentos fazem sentido. Muitas vezes, eles entram em conflito uns com os outros, como quando sentimos amor e ódio por uma mesma pessoa. Esse processo é conhecido como dissonância cognitiva. Para saber mais sobre ele, é só dar continuidade à leitura a seguir!

Dissonância cognitiva: conceito

O termo “dissonância cognitiva” é uma expressão empregada dentro da psicologia que está relacionada a divergências entre pensamentos, ideias, convicções ou crenças opostas entre si, dentro da mente de uma mesma pessoa.

A palavra “dissonância” significa “ausência de harmonia; de concordância entre duas ou mais coisas; desproporção entre as partes de um todo; incoerência”. Já a palavra “cognição”, de onde vem “cognitiva”,  significa “a qualidade daquele que é capaz de conhecer; tudo aquilo que diz respeito ou se relaciona com a cognição e/ou com o conhecimento; processo de aquisição de um determinado conhecimento”.

Em resumo, a dissonância cognitiva nada mais é do que uma contradição que um determinado indivíduo apresenta sobre os seus próprios pensamentos e comportamentos. Em outras palavras, se uma pessoa possui uma convicção e age de forma contrária ao que defende, acontece o que chamamos de dissonância cognitiva.

Dissonância cognitiva na prática

Criada e desenvolvida pelo professor e psicólogo estadunidense Leon Festinger, a teoria da dissonância cognitiva surgiu com o intuito de esclarecer e justificar o porquê de as pessoas terem a necessidade de obter coerência, lógica e nexo entre as suas ideias e opiniões. Assim, quando os indivíduos vêem incoerência nas suas palavras, pensamentos ou comportamentos, dentro do que determinam como correto, acontece o que chamamos de dissonância cognitiva.

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Nesse sentido, a dissonância cognitiva esclarece que todas as incoerências servem como incentivo e impulso para que o nosso cérebro elabore ou melhore novos conceitos, ideias, padrões, opiniões ou crenças. Se algo não faz sentido para nós, precisamos fazer algumas modificações para que estejamos mais satisfeitos com os resultados dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes.

Fábula: “A raposa e as uvas”

Um dos exemplos mais fáceis de compreender como funciona esse termo está na famosa fábula “A Raposa e as Uvas”. Ela foi criada por Esopo, um famoso escritor, que ficou conhecido por suas diversas histórias, contadas na Grécia Antiga.

Essa metáfora conta a história de uma raposa que contemplava e desejava comer algumas uvas que avistava no seu caminho. Ela, então, verifica as suas possibilidades e, quando percebe que não existem chances de alcançá-las, cria um desinteresse em sua mente com a justificativa de que talvez as uvas não estivessem tão apetitosas ao paladar.

Sendo assim, a dissonância segue um modelo em que se busca algo, se avalia se aquilo é inalcançável e, assim, diminui-se a dissonância por justificativas distorcidas. Na nossa vida, vivemos muitos momentos assim, e é o nosso bom senso que nos ajuda a tomar as decisões eficazes e a não sofrer pelo que abrimos mão.

Reduzindo a dissonância cognitiva

Segundo os especialistas, sempre que um indivíduo percebe que há uma incoerência entre alguns dos seus pensamentos, sentimentos ou atitudes, ele desenvolve mecanismos para restabelecer o equilíbrio e a lógica dentro da sua mente. Isso ocorre por uma das três maneiras a seguir:

  • Relação dissonante: ao identificar um conflito interno, o indivíduo tenta substituir alguma das suas crenças, opiniões ou atitudes dissonantes, tentando retornar ao estado de equilíbrio;
  • Relação consonante: o indivíduo tenta adquirir novas informações para confirmar as suas crenças e atitudes, acreditando que agora elas façam sentido;
  • Relação irrelevante: ao identificar esse conflito interno, o indivíduo reduz a importância atribuída às ideias em questão ou tenta esquecê-las, como faz a raposa da fábula citada acima.

Para compreender essas relações de redução da dissonância cognitiva, confira um exemplo prático. Imagine que você tenha comprado um produto, acreditando que ele seria muito benéfico para a sua vida, mas não tenha ficado feliz com o que recebeu em casa, ficando decepcionado. Nesse caso:

  • Relação dissonante: você tenta encontrar um lado bom no produto, amenizando a sua crença de que ele seja ruim;
  • Relação consonante: você começa a estudar o produto, pesquisa mais informações e tenta entender como ele pode ser mais útil para você;
  • Relação irrelevante: você deixa o produto de lado, desenvolvendo a crença de que ele não é tão importante assim para você.

Os aprendizados que podemos extrair da dissonância cognitiva

Por mais que seja uma experiência desagradável, a dissonância cognitiva nos traz alguns aprendizados importantes. O primeiro deles é que devemos entender que a mente humana nem sempre é lógica. A contradição faz parte da vida, e os sentimentos mistos são mais frequentes do que imaginamos. Além disso, aprendemos que devemos analisar melhor as situações da vida antes de chegar a determinadas conclusões, mas sabendo que o risco da dissonância sempre vai existir.

Concluindo, a dissonância cognitiva ocorre sempre que detectamos algo que não faz sentido ou que não parece lógico nos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. É uma necessidade humana ser coerente, de modo que esse tipo de contradição provoca um desconforto psicológico significativo, levando as pessoas a recorrerem aos mecanismos acima descritos para amenizar esse desconforto.

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