Muitas vezes, nos pegamos agindo ou sentindo coisas sem entender exatamente o porquê, como se existisse um piloto automático guiando nossas reações. Para compreender isso profundamente, precisamos unir a ciência moderna a uma sabedoria milenar.

É aqui que entra a filosofia da mente, um campo de estudo essencial para desvendar a natureza dos eventos mentais, das nossas funções psíquicas e da forma como percebemos a realidade.

Quando olhamos para dentro, percebemos que não somos apenas um corpo físico reagindo a estímulos. Existe uma arquitetura interna, uma “alma” ou psique, que organiza o caos do mundo exterior e lhe dá significado.

Entender essa estrutura é o primeiro passo para assumir a liderança da própria vida e deixar de ser refém de padrões que não nos servem mais.

O encontro entre a Filosofia da Mente e a Psicologia

A filosofia da mente dedica-se a investigar o que são os estados mentais e como eles se relacionam com o nosso corpo e comportamento. Grandes pensadores, como Aristóteles, já discutiam a alma como a forma do corpo, ou seja, aquilo que dá vida, movimento e propósito à matéria.

Trazendo isso para a nossa realidade atual, podemos dizer que a nossa mente atua incessantemente interpretando tudo o que nos acontece. Essa interpretação não para nunca. É um fluxo contínuo.

Aaron Beck, o pai da Terapia Cognitivo-Comportamental, observou que existe um fluxo de pensamentos que coexiste com o nosso pensamento racional e manifesto. Esses são os chamados pensamentos automáticos. Eles surgem espontaneamente, sem que a gente precise fazer esforço, e muitas vezes nem percebemos que eles estão lá, notando apenas a emoção que deixam para trás.

A interpretação como criadora da realidade

O ponto crucial que a filosofia e a psicologia concordam é que não sofremos pelos fatos em si, mas pela maneira como os interpretamos. O modelo cognitivo sugere que a interpretação de uma situação, em vez da situação propriamente dita, é o que influencia nossas emoções e comportamentos.

Imagine que a sua mente é como um artista que esculpe a realidade. A “matéria” é o evento que ocorre no mundo, mas a “forma” que esse evento toma na sua vida depende das suas crenças e percepções internas. Se a sua lente interna estiver embaçada por crenças limitantes, a forma final desse pensamento será distorcida, gerando sofrimento desnecessário.

Se você sente que chegou a hora de limpar essas lentes e compreender profundamente como suas crenças moldam seus resultados, convido a conhecer o Professional & Self Coaching (PSC) do IBC.

É uma formação vivencial que une as mais modernas ferramentas do desenvolvimento humano para que você assuma o controle da sua mente e das suas emoções.

A estrutura profunda: de onde vêm esses pensamentos?

Muitos se perguntam por que é tão difícil controlar o que pensamos. A resposta reside na profundidade do nosso sistema cognitivo. Os pensamentos automáticos são apenas a ponta do iceberg. Eles são manifestações rápidas e espontâneas que brotam de um nível mais profundo, composto pelas nossas crenças centrais e intermediárias.

Crenças Nucleares e Intermediárias

Segundo o modelo cognitivo, as crenças nucleares são verdades absolutas e rígidas que construímos sobre nós mesmos desde a infância. São ideias como “eu sou capaz” ou “eu sou inadequado”. Para proteger ou lidar com essas verdades profundas, criamos regras e suposições, que são as crenças intermediárias.

Quando uma situação do dia a dia toca nessas regras internas, o pensamento automático dispara instantaneamente. É uma resposta de sobrevivência, uma tentativa da mente de processar rapidamente a informação e nos preparar para reagir.

A filosofia da mente nos ajuda a ver que isso é teleológico, ou seja, tem um propósito, uma função de nos adaptar ao meio, ainda que muitas vezes essa adaptação seja disfuncional.

O perigo da distorção

O grande desafio é quando esse mecanismo natural começa a trabalhar contra nós. Pensamentos automáticos disfuncionais distorcem a realidade, ignoram evidências positivas e nos levam a conclusões exageradas ou catastróficas.

É comum aceitarmos esses pensamentos como verdades absolutas, sem reflexão ou questionamento, o que perpetua ciclos de tristeza, ansiedade ou estagnação.

Assumindo o papel de observador consciente

A boa notícia é que, assim como qualquer outra habilidade, podemos aprender a identificar e modificar esses padrões. A filosofia nos ensina a importância da consciência e da auto-observação. Não somos os nossos pensamentos, somos aquele que observa os pensamentos.

Para que a transformação ocorra, é preciso trazer à luz da consciência aquilo que estava no escuro. A maior parte do tempo, não temos conhecimento pleno desse fluxo mental, mas com um pouco de treinamento é possível acessá-lo. O segredo está em identificar, avaliar e responder a esses pensamentos de forma adaptativa.

Estratégias para a mudança

Existem caminhos práticos para realizar essa mudança de mentalidade. Um deles é observar as reações emocionais. A emoção é uma pista valiosa: se houve uma mudança repentina de humor, é muito provável que um pensamento automático tenha passado pela sua mente.

Outra ferramenta poderosa é o questionamento socrático. Pergunte-se: “Qual é a evidência para esse pensamento?”, “Existe uma explicação alternativa?”. Ao colocar o pensamento à prova, tiramos o seu poder de verdade absoluta e abrimos espaço para novas possibilidades e significados.

Ser de luz, a mente é uma ferramenta extraordinária, mas ela precisa de um bom líder. E esse líder é você. Ao entender a origem filosófica e psicológica dos seus pensamentos, você ganha a chave para libertar o seu potencial infinito.

Se este conteúdo fez sentido para o seu coração e você deseja se aprofundar ainda mais no estudo da mente humana e do comportamento para ajudar a si mesmo e a outras pessoas, convido você a conhecer as formações do IBC. Dê o próximo passo na sua jornada de evolução contínua.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que são exatamente pensamentos automáticos?

São um fluxo de pensamentos rápidos, espontâneos e muitas vezes breves que coexistem com o nosso pensamento consciente. Eles surgem como interpretações imediatas de situações e influenciam diretamente nossas emoções e comportamentos.

2. Todos os pensamentos automáticos são ruins?

Não. Os pensamentos automáticos são uma função natural da mente para processar informações rapidamente. Eles podem ser funcionais e positivos, ajudando-nos a agir com destreza. O problema surge apenas quando eles são disfuncionais e distorcem a realidade, gerando sofrimento.

3. Como a filosofia da mente ajuda a entender esses pensamentos?

A filosofia da mente estuda a natureza dos eventos mentais e a relação entre mente e comportamento. Ela oferece a base para compreendermos que a mente interpreta a realidade (dá forma à matéria) com um propósito (teleologia), ajudando-nos a ver que não somos vítimas dos fatos, mas sim criadores de significados.

4. É possível parar de ter pensamentos automáticos?

Não é possível nem desejável eliminá-los completamente, pois eles são essenciais para a agilidade do nosso raciocínio no dia a dia. O objetivo do desenvolvimento pessoal não é parar o fluxo, mas sim aprender a identificar os pensamentos disfuncionais, questionar sua veracidade e substituí-los por respostas mais realistas e adaptativas.