Por muito tempo, a comunidade científica acreditou e divulgou que as pessoas já nasciam com todas as suas células cerebrais, ou neurônios, e que a sua quantidade apenas caía, de acordo com o passar do tempo.

Entretanto, um estudo conduzido na Universidade de Madri, na Espanha, constatou que uma pessoa pode produzir novas células cerebrais até ao menos 97 anos de idade. Contudo, o número de novas células produzidas tende a cair com o avançar da idade. Esse processo acelera drasticamente nos casos de Alzheimer, mas a descoberta trás boas notícias na busca para um tratamento eficaz para a doença.

Na sequência, vamos entender melhor como o estudo da Espanha foi conduzido, quais foram as suas descobertas e como ele pode ampliar os horizontes na busca pela cura das demências. Continue a leitura e saiba mais sobre o assunto!

O estudo da Universidade de Madri

Pesquisas com outros mamíferos já haviam concluído que a produção de neurônios continua em outras fases da vida, após o nascer. Contudo, estudos em humanos ainda geravam dúvidas.

O estudo espanhol foi publicado na revista Nature Medicine e foi realizado analisando os cérebros de pessoas mortas, entre 43 e 97 anos de idade. Os pesquisadores encontraram neurônios imaturos, ou seja, células que haviam sido produzidas há pouco tempo nos cérebros examinados, mais especificamente na região do hipocampo — área cerebral associada à memória e ao processamento das emoções.

De fato, a maioria dos nossos neurônios já está formada quando nascemos, mas eles passam por um processo de maturação e desenvolvimento — estágio em que estavam alguns dos neurônios encontrados no estudo.

Os pesquisadores acreditam que a produção de novos neurônios, conhecida como neurogênese, ocorre, sobretudo, quando as pessoas precisam aprender coisas novas, o que ocorre com frequência. Entretanto, a potência dessa “fábrica” de neurônios diminui com o avançar da idade, sofrendo uma queda drástica nos casos de Alzheimer.

PSC Renascimento

Quando a doença está instalada, a produção de novos neurônios é aproximadamente 30% menor, ainda no estágio inicial. Isso significa que os processos neurodegenerativos já têm início, provavelmente, antes da manifestação dos sintomas. Esse achado dos pesquisadores de Madri tem alimentado esperanças de que possa ser possível encontrar novos caminhos para tratar a doença.

Novos horizontes para o estudo do Alzheimer

Até o momento, a doença de Alzheimer não tem cura ou tratamento definitivo. Existem medicações que apresentam resultados positivos, mas não a ponto de impedir que a doença evolua ou de promover a sua regressão. Em geral, os estudos conduzidos para encontrar um tratamento para essa condição têm focado no acúmulo de proteína beta-amiloide, uma das principais características do Alzheimer. Todavia, os estudos nesse campo têm falhado.

A pesquisa de Madri é significativa, pois aponta que a redução na neurogênese tem início antes mesmo do acúmulo dessa proteína, o que pode apontar para um novo campo de investigação. Segundo os cientistas envolvidos no estudo, compreender as causas dessa diminuição na produção de novos neurônios pode ser uma das chaves para desenvolver um tratamento mais eficaz para o Alzheimer, ou mesmo para outros problemas típicos do envelhecimento.

É claro que isso provavelmente demandará novos estudos, realizados com pessoas vivias, de modo a analisar o comportamento das células do cérebro ao longo do tempo. Os cientistas afirmam que, ao mesmo tempo em que o processo de envelhecimento provoca uma perda de neurônios, os seres humanos são capazes de produzir novas células do cérebro.

A doença de Alzheimer acelera bastante essa perda de células nervosas, e a pesquisa de Madri aponta que reduz também a produção de novas células. Dessa forma, será preciso realizar novos estudos para verificar se essa pesquisa está de fato apontando para novas áreas que permitam a criação de testes de detecção precoce da doença ou de maior predisposição para o seu desenvolvimento.

É possível prevenir o Alzheimer?

Infelizmente, ainda não existem evidências conclusivas de que determinados comportamentos efetivamente atuem na prevenção ao Alzheimer. Contudo, há estudos que apontam para determinadas práticas como benéficas, uma vez que neutralizam os fatores de risco associados ao quadro. Entre essas práticas, podemos citar:

  • Prática regular de atividades físicas apropriadas para a idade;
  • Alimentação balanceada, especialmente com foco em determinados nutrientes, como selênio e ômega-3;
  • Prevenção geral às doenças cardiovasculares: fazer o controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol, bem como evitar o álcool e o tabagismo;
  • Atividades intelectuais: leitura, escrita, testes, jogos, exercícios mentais, manutenção da atividade profissional e programas de reabilitação cognitiva;
  • Preservação da sociabilidade: convívio com colegas, familiares, amigos etc., reforçando os vínculos afetivos;
  • Manutenção de um sono de qualidade, de aproximadamente 8h por noite;
  • Administração do estresse.

Não há meios “mágicos” para retardar o envelhecimento ou prevenir as demências, mas o fato é que a medicina e a psicologia, juntas, têm ampliado os seus horizontes de estudos, de modo a permitir que as pessoas possam viver mais e melhor. O estudo de Madri, comprovando a produção de neurônios por mais tempo do que se pensava, é uma dessas pesquisas que trazem a esperança para o encontro de meios mais precisos para prevenir ou, quem sabe, tratar doenças como o Alzheimer.

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