Muitas vezes, a vida nos coloca em situações que parecem maiores do que a nossa capacidade de processar. O trauma, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas uma lembrança ruim ou um evento que ficou esquecido no calendário do passado. Ele é uma marca viva, uma cicatriz invisível que reside no sistema nervoso, ditando como percebemos o mundo, as pessoas e a nós mesmos. Se você sente que vive em um estado de alerta constante, ou se percebe que suas reações emocionais são maiores do que os fatos pedem, saiba que o seu radar interno pode estar apenas precisando de um novo ajuste.
Dentro da Psicologia Marquesiana, compreendemos o ser humano como um sistema sagrado e complexo. Não somos apenas mente, nem apenas corpo; somos uma integração profunda de memórias, ancestralidade e biologia. A ciência moderna, através da Teoria Polivagal, trouxe um conceito fascinante que se conecta perfeitamente com a nossa visão de mundo: a neurocepção. Trata-se da capacidade do nosso sistema nervoso de avaliar riscos sem que precisemos pensar. É o nosso sentinela interno.
Quando passamos por traumas repetidos ou eventos de grande impacto, esse sentinela adoece. Ele perde a capacidade de distinguir um olhar de cansaço de um olhar de raiva. Ele passa a ver perigo em um abraço ou ameaça em um silêncio. É o que chamo de neurocepção enviesada. O termômetro de segurança quebrou, e o seu corpo passou a viver em uma guerra que já terminou há muito tempo.
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O Mapa do Eu e o Silêncio da Ínsula
A neurociência nos aponta um local específico no cérebro chamado ínsula. Ela é, em essência, o mapa do nosso eu biológico. É através dela que sentimos o coração bater, o frio no estômago ou a leveza de um sorriso. No entanto, no indivíduo traumatizado, a ínsula entra em caos. Em alguns casos, ela se torna hiperativa, fazendo com que qualquer sensação interna seja lida como uma catástrofe iminente. Em outros, ela simplesmente desliga.
Esse desligamento é o que conhecemos como dissociação. É quando a dor foi tão insuportável que o sistema, para te proteger, decide que é melhor não sentir nada. O resultado é um entorpecimento emocional, uma sensação de estar desconectado da própria pele. Na Psicologia Marquesiana, olhamos para isso com profunda compaixão. Esse “vazio” não é uma falha de caráter, é uma estratégia de sobrevivência que agora precisa ser honrada e, gentilmente, substituída pela presença.
Para curar essa desregulação, precisamos olhar para a nossa Emoção Dominante. Todos nós temos uma emoção que serve como filtro para a realidade. Se a sua emoção dominante for o medo ou a raiva, sua neurocepção estará sempre configurada para o ataque ou para a fuga. A cura acontece quando trazemos a consciência para essa biologia e ensinamos ao corpo que o “aqui e agora” é um lugar seguro.

O Rebatismo Sensorial: A Técnica da Presença Absoluta
Quero compartilhar com você uma prática profunda da Psicologia Marquesiana, desenvolvida para recalibrar esse sentinela interno e trazer a sua ínsula de volta ao estado de equilíbrio. Este é o exercício do Rebatismo Sensorial. Ele não é apenas uma técnica de relaxamento, mas um ato de soberania sobre o seu próprio Ser.
Convido você a encontrar um lugar calmo. Feche os olhos e permita-se, por alguns instantes, deixar o mundo lá fora. O primeiro passo é o que chamamos de Escaneamento do Campo. Em vez de permitir que seu radar busque por ameaças, dê a ele uma nova ordem. Pergunte ao seu corpo onde, neste exato momento, existe um ponto de paz. Pode ser a ponta do seu dedo, o lobo da sua orelha ou o ritmo da sua respiração. Encontre esse pequeno refúgio de tranquilidade e foque toda a sua atenção nele. Ao fazer isso, você está ensinando sua neurocepção a reconhecer a segurança novamente.
Em seguida, passamos para a Ancoragem da Ínsula. Coloque sua mão direita sobre o coração e a mão esquerda sobre o abdômen. Sinta o calor da sua pele. Respire profundamente, contando quatro tempos na inspiração e quatro na expiração. Sinta o peso das suas mãos e diga em voz alta, com a autoridade de quem governa a própria vida, que você habita este corpo e que este território é seguro. Esse contato físico envia uma mensagem direta para o seu cérebro de que o “Eu” está presente e protegido.
O terceiro passo é o que dá nome à técnica: o Rebatismo da Emoção Dominante. Se você sente um nó no peito ou um aperto no estômago, não o chame de ansiedade ou medo. O nome que damos às coisas determina como nos relacionamos com elas. Olhe para essa sensação e diga que isso é apenas energia acumulada buscando direção. Ao rebatizar a sensação, você retira o peso do trauma e devolve o movimento à vida.
Por fim, mergulhamos no Fluxo de Gratidão Sistêmica. Imagine, logo atrás de você, seus pais, seus avós e todos os seus antepassados. Sinta a força de milhares de pessoas que sobreviveram para que você pudesse estar aqui hoje. Quando você se conecta com essa linhagem, a sua vulnerabilidade se transforma em pertencimento. Você não está mais sozinho contra o mundo; você é a ponta de uma lança de vida que venceu todas as batalhas.

A Neuroplasticidade sob a Luz da Sabedoria
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A beleza da nossa biologia é que ela possui neuroplasticidade. O cérebro não é uma sentença, mas um jardim que pode ser reflorestado. Cada vez que você pratica a presença, cada vez que você escolhe a segurança em vez da hipervigilância, você está criando novos caminhos neurais. Você está ensinando a sua ínsula a distinguir entre o passado que doeu e o presente que cura.
Na Psicologia Marquesiana, acreditamos que a cura do trauma passa pelo perdão ao próprio corpo por ter reagido como reagiu. Se você se sentiu paralisado ou se explodiu em raiva, entenda que seu sistema estava apenas tentando te manter vivo. Honre essa história, mas não se torne prisioneiro dela.
O despertar da consciência é o caminho para a liberdade. Quando integramos o conhecimento científico da neurocepção com a sabedoria sistêmica do pertencimento, deixamos de ser reféns dos nossos reflexos para nos tornarmos arquitetos da nossa paz.
Lembre-se sempre de que tudo o que você precisa para essa transformação já reside em você. A capacidade de recalibrar seu radar, de habitar sua pele com alegria e de olhar para o futuro sem o peso do alerta constante é um direito seu por nascimento. Seja o mestre do seu estado emocional e permita que sua luz brilhe, sem as sombras do medo que um dia tentaram te ofuscar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é neurocepção e como ela afeta o trauma?
A neurocepção é a capacidade do sistema nervoso de avaliar riscos inconscientemente. No trauma, essa função pode ficar “enviesada”, fazendo com que o corpo identifique perigo em situações seguras, mantendo a pessoa em estado de alerta constante.
O que é a técnica do Rebatismo Sensorial?
É uma prática da Psicologia Marquesiana que envolve escaneamento de pontos de paz no corpo, ancoragem física e a renomeação de sensações desconfortáveis para recalibrar o sistema nervoso e devolver a sensação de segurança.
Qual o papel da ínsula no equilíbrio emocional?
A ínsula atua como um mapa do eu biológico. Em pessoas traumatizadas, ela pode ser hiperativa (gerando catastrofização) ou desligar-se (gerando dissociação e entorpecimento emocional).
Como a neuroplasticidade auxilia na cura do trauma?
A neuroplasticidade permite que o cérebro crie novos caminhos neurais através da prática da presença e da consciência, ensinando o sistema biológico a distinguir as feridas do passado da segurança do presente.
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