De acordo com o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840), um dos primeiros a abordar o tema e a utilizar o termo, em se tratando da cleptomania, “o controle voluntário é profundamente comprometido: o paciente é constrangido a executar atos que não são ditados nem por sua razão, nem por suas emoções, atos que sua consciência desaprova, mas que ele não tem intenção”.
Na prática, isso quer dizer que a pessoa cleptomaníaca não rouba simplesmente porque quer, gosta ou não tem caráter, mas sim porque sofre de um problema mental que a impede de controlar esse impulso. Diferentemente de uma pessoa sem o transtorno, não há bom senso nem repressões morais suficientes para impedir a prática desses atos.
Segundo estudos realizados com pacientes cleptomaníacos, na maioria dos casos a doença está associada a outros distúrbios psicológicos, como depressão, transtornos de humor, bipolaridade e problemas de ordem emocional e afetiva. Algumas pessoas, inclusive, relatam que furtavam para sentir alívio em momentos de tristeza ou sofrimento emocional.
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Diferença entre cleptomania e furto comum
Querida pessoa, ser de luz, para aprofundarmos o entendimento sobre o que é cleptomania, precisamos esclarecer a principal diferença entre cleptomania e furto comum.
A pessoa que pratica um furto comum age motivada pelo ganho financeiro ou pelo usufruto pessoal do objeto. O cleptomaníaco, pelo contrário, vive um transtorno do controle dos impulsos. Ele furta porque sente uma vontade incontrolável e avassaladora, sendo que os objetos levados geralmente possuem baixo valor material e não têm utilidade real.
Sintomas da cleptomania
Os sintomas da cleptomania vão muito além do ato de furtar. O indivíduo possui plena consciência de que a sua atitude é errada. O ato gera um prazer momentâneo, originado pela superação do desafio. Logo em seguida, a pessoa é invadida por sentimentos profundos de vergonha, culpa, tensão e tristeza.
Portanto, o transtorno não tem relação alguma com falha de caráter, mas sim com um sofrimento psíquico complexo.
O que causa a cleptomania?
A ciência aponta que a causa exata do problema ainda é desconhecida. A psicologia indica o envolvimento de alterações neurobiológicas, especialmente disfunções no sistema de recompensa do cérebro. A regulação de neurotransmissores ligados ao prazer, como a dopamina e a serotonina, pode apresentar falhas significativas.
Além disso, traumas vivenciados na infância, episódios de negligência ou abusos familiares representam fatores de risco importantes. Condições associadas, como o transtorno obsessivo-compulsivo, também podem estar relacionadas ao desenvolvimento do problema.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico exige uma avaliação neuropsicológica rigorosa, realizada por psicólogos e psiquiatras, com foco na identificação dos gatilhos envolvidos e na exclusão de comportamentos motivados por raiva, vingança ou outros interesses específicos.
Querida pessoa, desenvolver o autoconhecimento e a inteligência emocional pode transformar a forma como você lida com os desafios da vida.
O Caso Winona Ryder
Um dos casos que mais chamou a atenção e repercutiu no mundo todo foi o da atriz americana Winona Ryder, que foi pega roubando em uma loja de roupas na cidade de Los Angeles. Rica e famosa, logicamente ela não precisaria levar as coisas sem pagar, mas ainda assim persistiu.
Entretanto, não é assim que a mente de um cleptomaníaco funciona. A falta de discernimento provocada pelo distúrbio fez com que, mesmo correndo riscos, ela tentasse levar embora aqueles objetos. Winona foi presa, condenada e virou notícia mundial. Por outro lado, o episódio trouxe uma importante discussão sobre a doença e possibilitou que ela buscasse tratamento.
Os impactos gerados por esse transtorno afetam diversas áreas da vida. A pessoa fica exposta ao risco de perder o emprego, sofrer processos judiciais e enfrentar graves problemas legais. O peso do estigma social frequentemente provoca o afastamento de familiares e amigos, agravando quadros de ansiedade e isolamento.
Tratamento para cleptomania
Por isso, buscar tratamento para cleptomania é uma atitude extremamente importante. Embora não exista uma cura definitiva, o manejo clínico pode devolver qualidade de vida ao paciente.
A psicoterapia surge como uma das estratégias mais eficazes, ajudando o indivíduo a identificar os gatilhos internos e a desenvolver mecanismos de autocontrole. O tratamento também pode incluir terapia em grupo e, em casos específicos, o uso de medicamentos prescritos por especialistas.
O mais importante é compreender que o acompanhamento psicológico e psiquiátrico adequado pode interromper ou amenizar significativamente a compulsão.
Por fim, se você também enfrenta esse problema e comete pequenos roubos como forma de aliviar dores emocionais, está na hora de procurar ajuda antes que a situação gere consequências ainda mais delicadas.
Fale com um especialista, procure um médico psiquiatra e obtenha apoio profissional para tratar o transtorno e compreender as origens desse comportamento. Você não precisa recorrer a nada material para sentir-se melhor consigo mesmo. Pense nisso, procure ajuda e boa sorte!
Investir em inteligência emocional e desenvolvimento pessoal pode fazer toda a diferença na construção de uma vida mais equilibrada.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A cleptomania tem tratamento?
Sim. Embora a literatura médica não aponte uma cura definitiva, o tratamento para cleptomania é altamente eficaz no gerenciamento dos impulsos. O paciente pode recuperar o equilíbrio emocional por meio da psicoterapia, aliada ao acompanhamento psiquiátrico e ao uso de medicamentos em situações específicas.
2. Qual a diferença entre cleptomania e furto comum?
A principal diferença está na motivação. O furto comum é planejado visando ganho financeiro ou benefício próprio. Já a cleptomania é um transtorno do controle dos impulsos, no qual o indivíduo furta de maneira compulsiva objetos que, muitas vezes, não possuem valor financeiro expressivo nem utilidade prática.
3. Como saber se uma pessoa pode ter cleptomania?
O principal sinal de alerta é o impulso incontrolável de subtrair itens desnecessários, repetindo o comportamento mesmo sabendo que a ação é errada. Geralmente, há sensação de alívio durante o ato, seguida por intensa culpa, vergonha e sofrimento emocional. Apenas um profissional de saúde mental pode realizar o diagnóstico adequado.
4. Quando é necessário procurar ajuda profissional?
A busca por ajuda deve ocorrer assim que a pessoa perceber dificuldade em controlar os próprios impulsos. O acompanhamento especializado pode evitar o agravamento do sofrimento emocional, além de prevenir consequências legais, sociais e profissionais decorrentes do transtorno.

