Dores emocionais são “machucados” que surgem e que demoram bastante tempo para cicatrizar, prejudicando a qualidade de vida das pessoas. Muitas vezes, descobrimos que essa ferida foi aberta ainda na infância, trazendo consequências negativas para a vida adulta.

O medo do abandono é uma dessas dores. Ele aparece com alguma frequência na infância, afinal de contas, todo indivíduo é mais dependente do outro nessa fase. No entanto, os traumas envolvendo o abandono infantil podem se desdobrar na idade adulta. Esse medo ainda existe nos adultos, apenas se expressando de maneira diferente.

Neste artigo, você vai compreender a essência e o surgimento dessa dor na infância, os seus desdobramentos nos adultos e os meios pelos quais nós podemos superá-lo e desenvolver uma estabilidade emocional mais eficaz. Continue a leitura a seguir e aprenda a amar-se com mais intensidade, amenizando o sofrimento gerado pelo abandono. Boa leitura!

Medo do abandono: uma dor emocional da infância

Quando falamos em medo do abandono, é frequente perceber que as origens desse medo estão na infância. Aqui, não falamos apenas do abandono físico, mas também do abandono emocional. O abandono físico é aquele que ocorre quando os pais, ou um deles, abandonam a criança e deixam de assumir a sua responsabilidade por criá-la. É um tipo específico de rejeição, que afeta um indivíduo em tão tenra idade.

No caso do abandono emocional, por sua vez, a presença física dos pais existe, mas é como se não existisse. Eles estão ali, provendo o sustento material da criança, mas sem construir com ela qualquer tipo de vínculo emocional. A criança precisa ter as suas necessidades materiais satisfeitas, mas não só elas. Os pequenos precisam de adultos que os ensinem o que é certo e o que é errado, que imponham limites, que os ajudem nas adversidades e que ofereçam um amparo diante das emoções negativas.

Esse medo é, nos termos da psicologia, um “medo primário”. Basicamente, todo ser humano que chega ao mundo precisa entender como a vida funciona com base nas palavras e no exemplo dos adultos que já estão ali ao lado dele. Se esses adultos ignoram as necessidades da criança, deixando de ensinar, de acolher e de demonstrar afeto, esse pequeno indivíduo desenvolve insegurança e um vazio, como se não tivesse a quem recorrer diante dos momentos de dificuldade.

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Por isso, os pais, os responsáveis e os professores precisam se responsabilizar pelo desenvolvimento da criança, não apenas em termos materiais, mas também intelectuais e emocionais. A infância é uma fase de vulnerabilidade, sendo que os descuidos vivenciados nessa etapa geram consequências que o indivíduo leva para a idade adulta, caso que não sejam adequadamente trabalhados e desenvolvidos. O abandono é um desses fatores que geram traumas.

As consequências do abandono na vida adulta

O abandono gera um sentimento de rejeição. O indivíduo abandonado começa a questionar a si mesmo: “Será que há algo errado comigo?”, “Será que eu não sou digno de ser amado?”. Se é difícil para um adulto lidar com essas questões, imagine para uma criança, que está em uma fragilidade emocional infinitamente maior.

Essas dúvidas são carregadas pela pessoa nas diferentes fases da vida. Se ela sofreu algum tipo de abandono na infância, pode ter problemas de autoestima, acreditando de verdade que não é digna de afeto, de amor ou de amizade. A angústia e a vergonha também podem ser sentimentos frequentes na vida dessas pessoas, que realmente consideram haver algo de errado com elas — o que não é verdade.

Um abandono expressivo na infância gera insegurança. A pessoa que passa por essa dificuldade começa a desenvolver uma espécie de ansiedade, esperando qual será a próxima pessoa a abandoná-la. “Se o meu pai me abandonou, o que eu posso esperar de um amigo?”. Esse tipo de raciocínio pessimista é comum entre quem lida com esse medo.

Trata-se, na verdade, de uma ideia distorcida, em que a pessoa projeta a todas as circunstâncias da vida um trauma que sofreu no passado. Isso a torna naturalmente desconfiada, com dificuldade de acreditar e de viver intensamente os seus relacionamentos amorosos, as suas amizades e até mesmo as suas relações profissionais. Qualquer pessoa carrega um pouco desse medo, mas não podemos permitir que ele nos impeça de viver as nossas relações.

O medo do abandono, portanto, é um tipo específico de ansiedade, em que antecipamos que alguém vai nos abandonar, o que pode nem sequer acontecer. Quem convive com esse medo cai na ilusão de que a solidão é o único refúgio, mas não é assim. É possível superar essa crença limitante!

A superação do medo do abandono

É possível superar essa dor que insiste em nos afirmar que seremos abandonados novamente, por repetidas vezes. É uma mistura angustiante de baixa autoestima com ansiedade que nos coloca nessa prisão. A carência nos leva a ficar dependentes de outras pessoas, vivenciando o amor de forma obsessiva e perdendo completamente a autenticidade. Para superar esse quadro, há alguns meios eficazes. Confira!

1. Aceite que esse medo é normal

O medo e a ansiedade são sentimentos humanos normais. Eles antecipam algum tipo de sofrimento, de modo que possamos nos proteger para evitar que essa expectativa negativa se concretize. Contudo, no que diz respeito ao abandono, não há como prever ou evitar que ele ocorra. Nós não podemos controlar a atitude do outro.

O que podemos administrar é o nosso próprio sentimento. Não é porque você foi abandonado no passado que obrigatoriamente isso vai se repetir. Esse medo pode ter intensificado a ansiedade do seu caso específico, mas ele não pode impedi-lo de viver novas experiências.

2. Assuma a responsabilidade por si mesmo

O trauma do abandono pode nos levar a uma busca incessante por alguém que nos “salve” e que se responsabilize pelas nossas emoções. Não acredite nessa ideia. Você tem o direito de procurar alguém com quem se relacionar, mas não é saudável estabelecer relações de dependência, como se você só fosse feliz ao lado de outra pessoa.

O amor que realmente nos cura do medo do abandono é o amor próprio. Quando você se responsabiliza pelas suas próprias emoções e ama a si mesmo do jeito que você é, você ameniza a necessidade de ter alguém ao seu lado. Se encontrar, ótimo, mas, se não encontrar, você conseguirá ser feliz do mesmo jeito.

3. Altere o seu diálogo interno

Um trauma de abandono na infância gera um diálogo interno muito negativo. “Ninguém me ama”, “vou morrer sozinho”, “serei abandonado novamente” e “não vale a pena confiar nas pessoas” são mensagens que aparecem com frequência nas mentes de quem vive essa dor.

É hora de mudar esse diálogo. Fortaleça a sua autoestima e pense que, por mais que alguém o tenha abandonado no passado, isso não quer dizer que vai ocorrer novamente. As pessoas são diferentes, de modo que as experiências também serão. Confie na vida e em si mesmo. Não podemos prever o andamento das relações, mas também não vale a pena privar-se de todas elas por medo de sofrer.

4. Seja emocionalmente autossuficiente

Existe um termo na psicologia conhecido como “autossuficiência emocional”. Ele se refere à capacidade que uma pessoa tem de observar e conhecer a si mesma, identificar as suas necessidades e preenchê-las por conta própria. Dessa forma se você sente um vazio existencial, compreenda que esse vazio só pode ser preenchido por você mesmo.

A ideia dos relacionamentos é encontrar pessoas que somem, e não que nos completem. Você já é um ser humano completo, e não pode condicionar a sua felicidade ou mesmo a sua existência a outra pessoa. Assuma a responsabilidade pela sua felicidade, valorize as suas qualidades e entenda que traumas passados não necessariamente vão se repetir. Confie em si mesmo.

Conclusão

O medo do abandono é um medo relativamente comum, afinal de contas, a maioria das pessoas não sabe lidar bem com a solidão. Por isso, a superação desse medo, especialmente nos casos em que ele se desenvolveu na infância, é algo bastante complexo.

Complexo, no entanto, não pode ser tomado como sinônimo de impossível. O caminho da superação é muitas vezes longo e cheio de desafios, mas pode perfeitamente ser percorrido por quem deseja colocar um fim a essa dor emocional e encontrar a felicidade. Por isso, se percorrer essa jornada sozinho estiver difícil, não tenha medo ou vergonha de recorrer à ajuda profissional. Você merece ser feliz, aprendendo a lidar e a relativizar esse medo do abandono, em busca de relações mais saudáveis!

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