O perdão é um valor admirado em muitas culturas e tradições religiosas. Ele simboliza o fim de uma desavença, permitindo que as pessoas envolvidas possam seguir em frente. Por mais positivo que seja, é claro que nem sempre é fácil perdoar. Na verdade, essa tarefa pode ser extremamente complexa e difícil, dependendo do contexto.

O lado bom do perdão é que fica mais fácil colocar um ponto final nos erros e conflitos do passado. Isso não necessariamente significa que é possível esquecer aquilo que fizeram de errado em direção a nós, mas, mesmo sem esquecer completamente, simboliza a nossa capacidade de não ficar lembrando o tempo todo.

Perdão: por que ele é importante?

O significado de perdoar pode ir muito além da espiritualidade. Independentemente da existência ou não de uma religião na vida da pessoa, esse valor é fundamental para uma vida mais feliz. Confira os principais motivos pelos quais perdoar é essencial:

  • Bem-estar emocional

Quando perdoamos alguém que nos feriu de alguma maneira, produzimos uma sensação de bem-estar, tanto sobre nós mesmos quanto sobre a pessoa que havia cometido esse erro. É como se tirássemos um peso que obrigatoriamente obstruía o fluxo das relações e gerava culpa e ressentimentos. Dessa forma, contribuímos para amenizar o estresse e permitir que as mágoas se dissolvam. Como se sabe, o acúmulo de mágoas em longo prazo pode gerar transtornos da mente, impedindo a paz interior.

  • Saúde física

Além da saúde mental, você sabia que até mesmo a saúde física pode ser impactada pelo nobre gesto de perdoar? As mágoas que guardamos ao longo da vida também se convertem em sintomas físicos muito desagradáveis. Esse estresse prolongado pode elevar a pressão arterial, gerar problemas cardiovasculares, deixar a musculatura mais tensa e até mesmo enfraquecer o nosso sistema imunológico contra invasores (vírus, bactérias etc.). Perceba quantos problemas podemos evitar pelo simples ato de perdoar.

  • Relacionamentos mais saudáveis

Quando uma pessoa perdoa a outra, ela se mostra mais humilde e flexível. Com essas características, ela consegue construir e manter relacionamentos mais saudáveis com as demais pessoas. Os conflitos fazem parte da vida de qualquer pessoa em qualquer setor, mas, exercitando a nobre arte de perdoar, eles duram menos, geram menos consequências negativas e são mais facilmente deixados para trás. Relações que incorporam o perdão têm mais chances de serem duradouras e satisfatórias.

  • Autolibertação

Aquele que perdoa pode até não se esquecer daquilo que o outro fez em direção a si, mas ele pode “se libertar” do peso de estar em conflito. Esses eventos passados geram um peso emocional muito grande e, quando mantemos esses pesos na vida, fica muito mais difícil progredir em todas as áreas. É como se houvesse obstáculos sobre os nossos caminhos, o que nos mantém sempre presos aos mesmos lugares. Por isso, perdoar liberta quem perdoa e quem é perdoado, podendo seguir em frente.

  • Crescimento pessoal

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Além de aprender com os próprios erros, nós podemos aprender muito com os erros dos outros. Se alguém, por exemplo, contar uma mentira para você, você pode utilizar essa dor sentida para evitar cometer o mesmo erro com os outros. Se você não gosta que sejam arrogantes com você, não seja arrogante. Se você não gosta que o deixem esperando, não se atrase. Esses são apenas alguns exemplos de como o perdão pode gerar crescimento pessoal, desde que saibamos aprender o que não fazer.

  • Quebra de ciclos de negatividade

O que significa não perdoar? Negar o perdão a alguém é como colocar-se em uma falsa posição de superioridade, como se aquele erro jamais pudesse ser cometido por você. Isso gera arrogância, prepotência, isolamento, discussões, frieza, distanciamento emocional, enfim, um ciclo de negatividade. Com o passar do tempo, todas essas características se acentuam e, portanto, fica cada vez mais difícil obter o perdão. O ego é alimentado e se torna cada vez mais potente e difícil de “quebrar”.

  • Espiritualidade

Além de todas as razões citadas acima, o perdão também é um importante fator espiritual. Diversas tradições religiosas abordam o ato de perdoar como condição primordial para que cada indivíduo evolua espiritualmente. Trata-se de um valor importante, pois gera fraternidade, caridade e benevolência, o que contribui com a paz e a harmonia entre as pessoas. Assim, o perdão é uma prática espiritual e moral, que conduz os indivíduos a um caminho evolutivo, tanto individual quanto coletivamente.

Como podemos aumentar a nossa capacidade de perdoar o próximo?

Por mais que o ato de perdoar seja tão benéfico, a verdade é que ele também é difícil. Às vezes, ficamos tão ofendidos com o erro do outro que nos julgamos em posição de negar a ele o perdão. É claro que cada situação é única, mas, em linhas gerais, podemos perdoar o próximo com mais facilidade seguindo as recomendações a seguir.

  • Pratique a empatia

Ter empatia significa colocar-se no lugar do próximo em alguma situação específica, como um conflito. Por isso, se perdoar estiver difícil, tente se colocar no lugar da pessoa. Se ela pediu perdão a você, provavelmente ela está sofrendo com o erro que cometeu e quer uma reconciliação, pois você é importante para ela. Você gostaria de não ser perdoado por uma falha? Ter empatia não significa concordar com as ações do outro, mas entender as circunstâncias, emoções, e experiências que podem tê-las causado.

  • Aceite as suas emoções

Quando somos ofendidos por alguém, é natural sentirmos tristeza, decepção, raiva ou mágoa. Quando essas emoções surgirem, apenas aceite-as. Essa aceitação é o primeiro passo para lidar com tudo isso de forma saudável. Nesse sentido, lembre-se de que emoções são estados passageiros, e nunca duram eternamente — ao contrário do que a sua mente possa levá-lo a crer. Portanto, seja paciente, pois, com o passar do tempo, essas emoções negativas iniciais tendem a diminuir.

  • Compreenda os benefícios do perdão

Quando perdoar estiver muito difícil, pegue a lista acima e releia os benefícios do perdão. Pense na sua saúde física, na sua saúde mental, na sua evolução espiritual, na sua autolibertação e, acima de tudo, na paz que você tem a obter com o gesto do perdão. Esse processo é benéfico para a pessoa que errou, mas também tem tudo para ser positivo para quem perdoa. Portanto, tenha sempre em mente todos esses benefícios, pois isso o levará a pensar duas vezes antes de recusar-se a perdoar alguém.

  • Aprenda com a experiência

A experiência do perdão tem muitos ensinamentos a produzir: humildade, bondade, respeito, tolerância e flexibilidade. Além disso, ela reforça um velho, mas extremamente sábio, ensinamento: não faça ao outro aquilo que você não quer que façam com você. Pense na seguinte situação: e se você precisar do perdão de alguém a quem já se recusou a perdoar no passado? A vida tem dessas coisas, pois as pessoas trocam de posição continuamente — nada é imutável. Reflita e aprenda!

  • Lembre-se de que você também erra

Muitas vezes, dizemos por aí: “Eu jamais faria isso” ou “Isso é imperdoável”. Mas será que isso é verdade? A expressão “dessa água não beberei” tem caído por terra consideravelmente. Atitudes que nós achávamos que jamais cometeríamos podem de fato acontecer nas nossas vidas, por um ou outro motivo. Portanto, tenha muito cuidado com as certezas que você carrega na sua vida. São pouquíssimas as que de fato se sustentam. O erro que hoje você julga no outro pode ser cometido por você amanhã.

  • Estabeleça limites saudáveis, mas seja tolerante

Para evitar que o outro erre ou pratique algo negativo sobre você, é muito importante definir e impor limites. Portanto, defenda sempre o seu direito de ser respeitado onde quer que você esteja: em casa, no trabalho, no seu local de estudos, na vizinhança, e por aí vai. Contudo, esteja disposto a perdoar as transgressões passadas. Pode ser que aquela pessoa que errou ou que o ofendeu de alguma maneira não o tenha feito de propósito. No calor do momento e das emoções, há frases e atitudes que “escapam”.

  • Busque apoio

Se você perceber a si mesmo como alguém muito intolerante, busque auxílio para trabalhar essa característica e ser mais flexível. Converse com os seus amigos e familiares. Se necessário, procure um profissional da área da saúde mental, como um psicólogo. Compartilhar as suas experiências e sentimentos pode proporcionar uma perspectiva externa bastante útil, capaz de gerar apoio emocional, aprendizados e uma nova postura. Tolerância é algo que pode e deve ser aprendido. Não desista!

  • Pratique a gratidão

Já demos essa dica aqui algumas vezes, mas nunca é demais reforçá-la. Seja grato por tudo de bom que a vida lhe concede todos os dias. Mesmo as coisas que pareçam óbvias, como uma casa ou um alimento, precisam ser devidamente valorizadas e agradecidas. Sempre que uma pessoa se concentra no lado bom da vida, ela consegue tirar o foco das emoções negativas, como a raiva e as mágoas com os erros alheios. Não se trata de positividade tóxica, mas apenas de facilitar o processo de perdão.

  • Dê tempo a si mesmo

Além de ser tolerante com os outros, você também precisa ser mais paciente consigo mesmo. Perdoar deve ser um gesto genuíno, e nunca feito “da boca para fora”. Portanto, saiba que esse sentimento de aliviar a culpa do outro não surgirá imediatamente. Pode ser que, no começo, você tenha dificuldade de deixar para lá, pois a mágoa ainda estará muito forte e muito recente. Saiba que isso é normal, sobretudo dependendo da gravidade do ato. Seja paciente, pois o tempo o ajudará a perdoar genuinamente.

  • Explore técnicas de relaxamento

A raiva, a tristeza e a mágoa são emoções muito complexas e podem ser realmente difíceis de lidar. Por isso, além de procurar ajuda profissional, invista em técnicas de relaxamento, pois elas tendem a reduzir o estresse e a aumentar a sua abertura ao perdão. Entre essas técnicas, podemos citar a atividade física regular, a meditação mindfulness, a respiração consciente, entre outras. Especialmente quando atuam em conjunto, essas ferramentas são capazes de gerar serenidade para perdoar, sem ser inflexível.

Lembre-se de que o perdão não é um sinal de fraqueza, mas sim uma escolha consciente de libertar-se do fardo emocional que a falta de perdão pode trazer. Cada pessoa é única, e o processo de perdoar pode variar de acordo com as circunstâncias e a personalidade individual.

Perdoar é um gesto de maturidade, responsabilidade afetiva e altruísmo. Lembre-se da paz que você sente cada vez que alguém lhe perdoa. Por que não conceder essa paz a quem errou em direção a você? O ato do perdão gera marcas muito positivas tanto em quem o concede quanto em quem o recebe. Faça parte dessa corrente de positividade e perdoe sempre que possível. Esse gesto nem sempre é fácil, mas pode fazer uma diferença significativa!