A regra dos 20 segundos é o 6º princípio de Shawn Achor para ser feliz. O autor lista 7 princípios para o sucesso e a felicidade no seu livro O jeito Harvard de ser feliz. A regra dos 20 segundos é, na verdade, uma reflexão: como podemos utilizar esse pequeno intervalo de tempo para diminuir a vontade de cair nos hábitos nocivos e, ao mesmo tempo, estimular a adoção de hábitos saudáveis?

Essa troca de vícios por virtudes é um dos segredos para uma vida com mais bem-estar, alegria e realizações. Neste artigo, vamos compreender melhor como se dá essa dinâmica. Continue a leitura e saiba mais!

O problema da força de vontade

A força de vontade é um ímpeto motivacional que nos estimula a uma ação. Dessa forma, podemos fazer uso da força de vontade para ir à academia todas as manhãs. Essa força é bem-vinda, mas o ideal é que, depois de algum tempo, ela deixe de ser necessária, pois o indivíduo já internalizou aquele hábito e o adotou definitivamente na rotina. O problema da força de vontade, portanto, é que, quanto mais a utilizamos, mais ela se desgasta. Por isso, ela deve ser necessária apenas no início da adoção de um hábito.

Se você precisa da força de vontade para ir à academia, mesmo já tendo adquirido esse hábito há 6 meses, por exemplo, é sinal de que esse hábito não foi adequadamente instalado na sua rotina. Talvez você ainda não tenha organizado o seu dia a dia, talvez ainda não tenha compreendido os benefícios dessa atividade, ou talvez ainda não tenha encontrado uma modalidade que de fato desperte prazer e motivação.

O caminho da menor resistência

O que provoca essas crises de força de vontade é o chamado “caminho da menor resistência”. Por exemplo: em cada sábado de folga, você pode ir ao clube, caminhar no parque, visitar um amigo, ir a uma exposição bacana em um museu, conferir o novo lançamento do cinema etc. Contudo, por que, mesmo tendo tantas opções atrativas, você permanece deitado no sofá, assistindo à televisão por horas e horas? Pelo simples fato de que é mais fácil!

A televisão está a apenas um botão de ser ligada e assistida, enquanto as outras opções citadas demandam mais atividade e energia: trocar de roupa, ligar o carro, pegar trânsito, gastar dinheiro etc. Vencer essa inércia é extremamente difícil para o cérebro, o que nos leva a, cada vez mais, alimentar esses hábitos sedentários e negativos, o que nos leva a evitar a adoção de atividades mais interessantes e com maior potencial para nos fazer mais felizes no dia a dia.

A entropia psíquica e a energia da ativação

PSC Renascimento

Curiosamente, os estudos têm indicado que essas atividades mais passivas, como assistir televisão, só despertam prazer durante os 30 minutos iniciais. Depois, iniciam o que os psicólogos chamam de entropia psíquica, uma sensação de apatia e desinteresse. Em contrapartida, os hábitos mais ativos, como caminhar no parque ou tocar um instrumento musical, despertam prazer por muito mais tempo. Mas então, por que continuamos preferindo os hábitos passivos, se eles são menos prazerosos?

A resposta é simples: porque é mais fácil, e o cérebro adora economizar energia. Por mais que os hobbies mais ativos despertem mais prazer, eles demandam um esforço inicial para serem feitos: a chamada energia da ativação. Ligar uma televisão com um controle remoto, por sua vez, não demanda essa energia, já que é muito mais simples. Quebrar essa inércia é surpreendentemente difícil, mas necessário para contrariar a natureza humana de seguir sempre pelo caminho da menor resistência.

Crie barreiras para os seus vícios: a regra dos 20 segundos

Achor defende que, para evitar os vícios, como assistir à televisão, devemos nós mesmos criar barreiras para esse tipo de atividade. Por exemplo: se você tirar as pilhas do controle remoto e guardá-las em um lugar distante da sala, estará criando uma barreira que faz com que o ato de assistir televisão deixe de ser tão fácil e prático. Assim, essa atividade naturalmente passiva passa a demandar uma energia de ativação, assim como ir à academia ou ao cinema.

Se você perceber que vai demorar mais de 20 segundos para iniciar uma atividade, isso significa que ela demanda uma energia de ativação mais alta, o que poderá levá-lo a desistir de realizá-la dentro desses 20 segundos — daí o nome da regra que intitula o 6º capítulo do livro de Achor. Dessa forma, o segredo para evitar os maus hábitos é criar empecilhos para a sua realização, aumentando a energia de ativação que esses vícios demandam.

Facilite a realização dos bons hábitos

Ao mesmo tempo em que dificultamos os maus hábitos, devemos diminuir a energia de ativação dos hábitos positivos (aqueles que queremos incluir na rotina), ou seja, facilitar o seu início. Por exemplo: se você deseja exercitar-se logo pela manhã, por que não já dormir com a roupa de ginástica? Isso diminui o esforço inicial para adotar esse hábito. Quanto mais você facilitar essas atividades, menor será a chance de cair na tentação de desistir.

Tornar essas atividades mais práticas e exercitar a disciplina são as recomendações para substituir os maus hábitos pelos bons hábitos. Por isso, também é útil definir regras para o seu dia a dia, como estabelecer um horário específico para checar e-mails e redes sociais. As regras eliminam as incertezas de ter que tomar decisões, o que economiza energias e nos ajuda a focar nos hábitos saudáveis, que despertam a sensação de felicidade e bem-estar.

Concluindo, o segredo para alcançar as nossas metas é aumentar a energia de ativação dos hábitos que queremos parar e reduzir a energia de ativação dos hábitos que queremos fortalecer. A repetição dessas atividades fortalece os hábitos no seu cérebro, de modo que, com o passar do tempo, eles se tornem naturais, sem demandar força de vontade. Em breve, você estará usufruindo dos benefícios dessas atividades!

E você, querida pessoa, como tem substituído hábitos nocivos por hábitos benéficos? Contribua deixando o seu comentário no espaço a seguir. Além do mais, que tal levar estas informações a todos os seus amigos, colegas de trabalho, familiares e a quem mais possa se beneficiar delas? Compartilhe este artigo nas suas redes sociais!