Perdoar não é esquecer o que a outra pessoa fez de errado. Perdoar é conseguir deixar o que aconteceu para trás, permitindo-se dar continuidade à vida e permitindo que a outra pessoa faça o mesmo.

Trata-se de um gesto nobre, que envolve a humildade de reconhecer que todos nós somos seres humanos e que o erro faz parte da nossa espécie. Contudo, convenhamos que, em certas ocasiões, perdoar pode ser difícil. Neste artigo, reunimos 10 passos fundamentais no caminho rumo ao perdão. Acompanhe!

1º passo: encontre a permissão para perdoar

Dar o primeiro passo é uma questão de querer. Desse jeito, o primeiro movimento rumo ao perdão é permitir-se perdoar, seja qual for o tipo de perdão. Isso nos liberta de sentimentos ruins, inclusive do estresse, cortando o vínculo que você possui com aquele que o magoou ou com a situação que o feriu.

Permitir que o perdão aconteça é a decisão de não sofrer mais. Tanto a decisão de perdoar quanto a de não perdoar são escolhas legítimas que cada um de nós tem a liberdade de fazer. Por isso, ressaltamos a importância da decisão e da permissão para sermos verdadeiramente capazes do perdão, pois perdoar é uma escolha.

2º passo: aceite a si mesmo

O entendimento de quem somos, do que somos constituídos e da nossa verdadeira essência é importantíssimo para que possamos saber o motivo dos sentimentos ruins, ou seja, a origem de tanta raiva e dor. Isso permite que, assim, possamos expressá-los da melhor forma.

Na oração do Pai-Nosso, dizemos “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos àqueles que nos têm ofendido”. A nossa capacidade de perdoar está ligada também ao desejo de sermos, nós mesmos, perdoados pelos nossos erros.

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A aceitação de si mesmo implica também cessar de se sentir culpado. Em muitos casos, uma vítima se sente paradoxalmente culpada pelo mal que lhe aconteceu. Por isso, é importante ter o discernimento daquilo pelo que somos de fato responsáveis e daquilo que não está em nosso poder de controlar.

3º passo: construa um diálogo interno, com foco no perdão

Quem nunca ficou pensando, ponderando prós e contras, em todos os pontos de vista? Esse é um passo que leva ao perdão, pois, com esse diálogo interno, você consegue transformar os sentimentos ruins em energia positiva e impulso para continuar a trilhar o caminho.

O ódio e o ressentimento são sentimentos que podem nos destruir em longo prazo e, por isso, é preciso manter o foco no perdão para não permitir que esses sentimentos se acumulem cada vez mais. Além disso, não perdoar seria um gesto de falta de humildade, como se nos colocássemos na posição de superioridade de um indivíduo que nunca erra — o que, aliás, não existe!

4º passo: entenda o objetivo do perdão

Imagine uma cena enquanto você está nessa caminhada. Você já viajou de carro, passou por uma paisagem estonteante e decidiu parar para observá-la com mais atenção? É isso que você fará quando der esse passo, o de entender o motivo da viagem, pois somente paisagens como essa lhe darão o real motivo.

O que queremos dizer com tudo isso? Queremos dizer que o perdão não é apenas aceitar o erro do outro. Lembre-se sempre de que o perdão é a ação daquele que perdoa, é algo que vem do mais profundo do ser, e não de fatores externos. Isso quer dizer que o benefício do perdão é todo voltado para aquele que perdoa, livrando-o dos sentimentos nocivos e das emoções negativas, transformando uma vida de sofrimento em uma vida muito mais leve.

Existem estudos científicos que sustentam que nutrir sentimentos negativos — como o ódio, a raiva, o rancor, o ressentimento e a mágoa — pode ter relação com o desenvolvimento de inúmeras doenças, desde doenças do aparelho psíquico, como a depressão, até o câncer.

Essas pesquisas recentes têm apontado também que perdoar está associado com a melhora de problemas cardíacos, de pressão arterial e de estresse. Assim, o perdão traz um benefício incontestável para a nossa saúde, tanto física quanto psíquica, além de emocional e até mesmo espiritual. É como destrancar-se de correntes que nos pesam e que nos impedem de caminhar livremente.

5º passo: viva o aqui e o agora

No caminho rumo ao perdão, esse é um dos passos mais importantes. A dor que você sente no presente é causada pela interpretação de que você fez de algo no passado. Não permita que, no seu presente, permaneça o sofrimento de algo que já aconteceu.

6º passo: permita-se ressignificar

O processo de coaching visa sempre a ressignificar o passado, e, para isso, é necessário que você se permita vivenciar essa experiência. Sempre que for tomado por angústias, busque retornar para o presente, recobrando o autocontrole. Para isso, respire profundamente e procure encontrar um novo cenário. Dessa forma, talvez o estresse diminua, e, consequentemente, a sua ansiedade também.

Viver uma vida plena e saudável em todos os seus aspectos só é possível por meio da ressignificação e do perdão. É preciso um esforço consciente para perdoar, um esforço não de esquecimento, mas de ressignificação. Ressignificar significa ser capaz de criar novas formas de ver e interpretar acontecimentos e de atribuir novos significados às nossas experiências.

Perdoar é se libertar de sentimentos e ressentimentos que o afetam e consomem constantemente, podendo levar, em longo prazo, até ao adoecimento. Ressignificar as suas mágoas possibilita que você siga caminhos completamente novos e mais edificantes.

7º passo: pense positivo

Todos os comportamentos, nossos e dos outros, têm uma intenção positiva. Por isso, não olhe apenas para o erro, encare-o também como uma forma de aprender, busque entender como ele o leva a novos caminhos e como ele pode ajudá-lo a atingir os seus objetivos. Volte a sua mente também para as suas conquistas e para a sua trajetória de vida. Nunca se esqueça de honrar a sua própria história.

Busque sempre o lado bom de todas as coisas, inclusive o seu. Tenha confiança e otimismo. Mesmo que você se decepcione ou se frustre, seja resiliente. A cada queda, levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima! Veja o copo sempre meio cheio, em vez de meio vazio. Parece bobagem, mas essas simples atitudes são o início do processo de mudança de mindset, isto é, de mudança no seu padrão de crenças.

8º passo: viva com amor

Tire o seu foco da pessoa que lhe causou mágoa e do incômodo guardado dentro de si. Olhe ao seu redor. Tente perceber quanto amor, atitudes positivas, gratidão e bondade há no mundo. Como já foi dito aqui, o ódio pode cegá-lo e fazer com que você não perceba o mundo de forma racional. É necessário, portanto, que você sempre tente parar de remoer emoções negativas.

O amor é um dos sentimentos mais incríveis que o ser humano é capaz de expressar. Esteja disposto a receber e a transmitir mais amor em sua vida. Como afirmou Erich Fromm (e também muitos outros antes dele), “O amor é uma arte!” E, como toda arte, devemos aprendê-lo e praticá-lo. O amor exige dedicação e comprometimento, mas nos oferece em troca os mais belos frutos que podemos colher nesta vida.

9º passo: busque aprendizados

Nelson Mandela disse “Eu nunca perco. Ou eu ganho, ou eu aprendo.” É este o fundamento do nono passo: veja em cada uma das decepções uma oportunidade de aprender a lidar com as adversidades, de se autoperdoar e perdoar ao outro. Procure compreender que ninguém é perfeito, que erros sempre vão acontecer e que, para viver bem, é necessário introduzir emoções positivas na sua vida.

Um relacionamento que termina, por exemplo, pode ensinar muito sobre como lidar com as relações amorosas. Cada relacionamento ensina alguma coisa sobre as pessoas, sobre a relação entre dar e receber, sobre os seus próprios sentimentos, sobre o princípio de ação e reação, entre outros. Enfim, se buscamos o aprendizado, o espaço para o perdão se constrói naturalmente.

10º passo: seja verdadeiro

Você caminhou um longo percurso até aqui, e esse é o último passo. A paisagem dele é o seu interior. Conceda-se um olhar sem julgamentos. Admita as suas próprias falhas, perdoe-se e peça perdão àqueles que você magoou. Dessa forma, você se liberta e permite ao outro que ele seja livre também.

Talvez, este seja o passo mais difícil: reconhecer as suas próprias falhas e as próprias sombras. Admita que, talvez — e apenas talvez — a maioria dos erros tenha sido cometida por você. E não há nenhum grande problema nisso, pois, afinal, você também tem o direito de errar, assim como qualquer pessoa.

Não procure desculpas ou justificativas. Admita e assuma as suas falhas e erros. Comprometa-se a ser fiel e verdadeiro com as pessoas com quem você vive e se relaciona. Seja verdadeiro em suas relações e esteja presente por inteiro, de corpo e alma.

E você, ser de luz, como avalia a sua capacidade de perdoar? Contribua deixando o seu comentário no espaço a seguir. Além do mais, que tal levar estas informações a todos os seus amigos, colegas de trabalho, familiares e a quem mais possa se beneficiar delas? Compartilhe este artigo nas suas redes sociais!

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